FRATURAS POR OSTEOPOROSE

A osteoporose é uma doença sistêmica de metabolismo ósseo que gradualmente enfraquece os ossos, tornando-os quebradiços aos traumas triviais ou de forma espontânea. Existem atualmente nos Estados Unidos da América (EUA), cerca de 25 milhões de pessoas que sofrem dessa doença; e no Brasil, estima-se em 15 milhões (figura 1).

A osteoporose provoca fraturas na coluna vertebral, tanto na torácica como na lombar, sendo que a sua incidência é maior que as fraturas de quadril e de punho.

Na coluna vertebral, acomete principalmente os corpos vertebrais, uma vez que é ela que suporta praticamente toda a carga axial (cerca de 75%) que lhe é exercida, provocando fratura compressiva do corpo vertebral (FCCV) que provoca muita dor e deformidade vertebral (cifose), porém, raramente provoca lesão medular ou neural (figura 2).

Estima-se que nos EUA, ocorrem anualmente cerca de 700.000 FCCV pela osteoporose; e no Brasil, de 300 a 500.000 fraturas.

A osteoporose primária é responsável por 85% dessas fraturas, e os 15% restantes dessas fraturas são causadas pela osteoporose secundária e a processos neoplásicos.

A maioria dessas fraturas geralmente se cura em três meses com tratamento conservador bem realizado por médico especialista através de medicamentos, fisioterapia e colete; porém, cerca de um terço delas se tornam cronicamente dolorosas devido a não consolidação da fratura e pela instabilidade vertebral o que pode ser evidenciado através de imagens, tais como o Rx, cintilografia óssea e a ressonância magnética.

Além da dor incapacitante que leva à diminuição da capacidade física do já debilitado idoso, da possível deformidade vertebral (cifose torácica acentuada ou cifose toraco-lombar ou lombar), a osteoporose também provoca diminuição da função pulmonar e suas consequências (insuficiência pulmonar, pneumonia, etc.).

Os fortes medicamentos utilizados para o alívio sintomático da dor podem dar efeitos colaterais importantes e até mesmo levar à confusão mental e/ou alteração de humor que invariavelmente comprometem ainda mais as condições físicas e emocionais dos idosos.

Estudos prospectivos mostram que o índice de mortalidade aumenta em até 23% em mulheres acima de 65 anos se comparado ao grupo controle; e quando maior o número de vértebras fraturadas numa mesma pessoa, pior é o prognóstico.

O melhor remédio para a osteoporose é a sua prevenção e uma vez afetado pela doença, deve-se tomar o máximo de cuidado para o idoso não sofrer quedas.

TRATAMENTO DE FRATURAS POR OSTEOPOROSE
A maioria das fraturas compressivas do corpo vertebral (FCCV) por osteoporose se cura em três meses com tratamento conservador bem realizado por médico especialista através de medicamentos, fisioterapia e colete; porém, cerca de um terço delas se tornam cronicamente dolorosas devido a não consolidação da fratura.

Até recentemente, a única opção existente para os idosos com fraturas que permaneciam sintomáticas após o tratamento conservador, era a de ficarem confinados ao leito alternando com atividade física rotineira, devido à intensa dor que lhes provocavam. Esses pacientes ficavam dependentes de fortes analgésicos que lhes causavam muito efeito colateral, tais como confusão mental, perda de equilíbrio, alteração intestinal, alteração vesical, quedas frequentes e depressão mental. O uso de coletes rígidos que lhes proporcionavam algum alívio da dor era muito mal tolerados. E muitos desses pacientes levavam meses a anos para melhorarem, sendo que uma parte se tornava dependentes de familiares e outros permaneciam confinados à cadeira de rodas ou ao leito, perdendo totalmente a sua individualidade, a independência e a dignidade.

Por outro lado, a correção cirúrgica dessas fraturas tem eficácia limitado pela baixa qualidade dos ossos e das precárias condições clínicas desses pacientes e está raramente indicada, estando restrita aos casos de instabilidade espinal severa ou comprometimento neurológico grave.

Atualmente, existem duas novas técnicas minimamente invasivas para o tratamento das FCCV sintomáticas que não melhoraram com o tratamento conservador bem realizado: a vertebroplastia e a cifoplastia.

A verbroplastia e a Cifoplastia são técnicas percutâneas minimamente invasivas realizadas com anestesia local ou geral e consiste na injeção de cimento acrílico medicinal, denominada de polimetimetacrilato (PMMA) no interior do corpo vertebral fraturado com o intuito de estabilizar (fixar) a vértebra fraturada e obter o alívio sintomático da dor, sem os inconvenientes do tratamento conservador prolongado ou da agressividade da cirurgia convencional.

Figura: aspecto em modelo de plástico da cifoplastia.